sexta-feira, 2 de maio de 2014

"Agora é vida nova", disse Riad sobre a transferência para o Sesi-SP


Após três temporadas defendendo o time de sua cidade natal, o Rio de Janeiro, o central Riad está de partida. O destino do jogador para a próxima temporada será o Sesi-SP, atual vice-campeão da Superliga. Em um bate-papo descontraído na praia de Copacabana, ele conversou, com EXCLUSIVIDADE, com a nossa equipe sobre a transferência, a expectativa de atuar pelo novo clube e mandou recado para os fãs.

Sem Bloqueio: Por que você decidiu sair do RJ Vôlei?
Riad Ribeiro: Na verdade, a minha vontade era ficar, mas eu tive que agir com uma coisa mais concreta, já que as coisas estão muito paradas aqui no Rio. No ano passado eu já esperei, porque aconteceu mais ou menos a mesma coisa, que tinha aquela incógnita do patrocinador que acabou saindo. Mas todo mundo esperou e eles conseguiram, até um determinado ponto, confirmar patrocinador mas depois aconteceu o que todo mundo sabe. Então esse ano eu não ia esperar, até porque logo depois do campeonato veio uma equipe com uma estrutura montada, muito organizada (que é o Sesi) e eu não podia esperar como eu fiz no ano passado. Por isso eu tomei essa decisão. Acho que eu optei por aquilo que era mais certo, mais garantido, do que de novo uma incógnita. Dessa vez eu pensei mais no meu lado profissional, mais com a razão. No ano passado pesou um pouco o fato de todo mundo ter continuado, da gente ter sido campeão, mas esse ano não. Foi muito diferente. Foi muito interessante o que aconteceu, mas eu não quero passar por isso de novo. Passei uma vez e não quero mais. Então por isso que eu optei não ficar e não esperar, porque time vai ter.


SB: E o time carioca não te fez nenhuma proposta?
RR: Não. Não fez nenhuma, até porque eles estão decidindo ainda o patrocínio, valores, renovação do patrocínio, até o ponto que eu sei. Quando eu tive o interesse do Sesi, a primeira pessoa que eu liguei foi o Marcelo (Fronckowiack, técnico do RJ Vôlei), para poder saber como é que estavam as coisas e ele disse que as coisas estavam muito lentas e eles estão tentando e não param de tentar nenhum dia, mas as coisas ainda estão caminhando muito lentamente e ele foi a primeira pessoa que me deu a maior força. Ele falou que se fosse mesmo concretizada a proposta, que ele era a primeira pessoa a dar a maior força para eu ir e que não era também para eu ficar esperando muito. Então não deu tempo deles fazerem uma proposta. Não fizeram justamente por causa disso, porque eles ainda infelizmente ainda estão esperando respostas, então eles não fizeram.


SB: Você recebeu outras propostas, além do Sesi-SP? 
RR: Não. Proposta concreta não. Mas o Ricardinho (levantador e presidente do Moda Maringá) entrou em contato comigo. O Horácio (Dileo, técnico do Moda Maringá) me ligou e disse que queria que eu fosse para lá, que ia começar uma negociação. Antes disso o Ricardinho me escreveu e disse que gostaria que eu fosse para lá, que contava comigo. Mas uma proposta, pelo menos que eu saiba, concreta não chegou. Logo depois veio o Sesi e foi uma proposta excelente, muito boa, não vou negar. Então não tinha porque eu ficar esperando. O único interesse que eu tive realmente concreta do técnico ter me ligado foi o Maringá. Foi a única outra equipe que me procurou.


SB: Qual a duração do seu contrato com o time da capital paulista?
RR: Um ano. Assinei um ano.


SB: Qual a sua expectativa para essa nova fase?
RR: Eu estou indo muito empolgado. Eu até publiquei (nas redes sociais) que vou para o Sesi com a mesma vontade, com o mesmo sorriso, com a mesma alegria que eu tive aqui no Rio, independente do time que eu estou indo ou qualquer outro que poderia ter sido eu iria sempre com a mesma vontade e com o Sesi não vai ser diferente, até porque é uma equipe que vai lutar para poder ganhar o título mais uma vez e eu tenho mais essa motivação de ir para lá e ganhar a Superliga de novo. Vou estar jogando com grandes jogadores, vou estar jogando com o Serginho, com o Murilo, com o Lucão de novo, com o Lucarelli e com outros jovens também que estão querendo aparecer, como por exemplo o Aracaju, que é da minha posição, fez alguns jogos com o Giovane (Gávio, ex-técnico do Sesi-SP) e esse ano com o Pacheco (Marcos Pacheco, atual técnico do Sesi-SP). Provou ser um jogador de muito futuro e com a comissão técnica que dispensa comentários. Foi uma das coisas também que pesou na minha decisão foi trabalhar com o Pacheco que é uma pessoa que eu sempre via na beira da quadra e sempre passava segurança para o time, nas equipes em que ele trabalhou e não é à toa que ganhou a Superliga diversas vezes. Minha expectativa é ir lá e fazer o mesmo trabalho que eu fiz aqui no Rio ou até melhor, com a mesma dedicação e ganhar a Superliga. A gente tem time para ganhar e vamos procurar fazer de tudo para ganhar.


SB: Qual foi a sensação de jogar no Rio de Janeiro por três temporadas, com a presença da sua família e dos seus amigos no ginásio?
RR: Pois é, foi muito bom mas ao mesmo tempo foi diferente porque, como você falou, meus pais, minha mãe, principalmente, ia em todos os jogos, minha família, grandes amigos meus que começaram jogando pelada comigo na praça lá perto de casa, eles iam e, quando eu joguei no Rio Grande do Sul e principalmente na Itália, enfim, eu não tive essa oportunidade, de estar com pessoas que eu gosto, amigos que eu gosto, minha família que eu amo, tá do meu lado, então, pra mim foi um prazer muito grande, acho que foram três anos maravilhosos que eu vou lembrar, que ficou marcado na minha lembrança, na minha memória, no meu coração e tudo, mas a vida de atleta é assim.. um ano a gente tá num lugar, outro ano a gente tá no outro, mas graças a Deus que eu pude ficar três anos seguidos aqui no Rio e São Paulo não é assim tão longe, enfim, então acho que dá pra eles irem lá assistir um jogo também. Mas foi muito bom. E com certeza, o jogo mais marcante foi a final da Superliga. 


SB: Qual foi a sensação de ser campeão da Superliga defendendo o Rio de Janeiro? 
RR: É a primeira vez que eu vou falar isso e, eu confesso, que foi o jogo mais nervoso que eu já tive na minha vida. Na Itália, eu joguei diversas finais e, graças a Deus, eu ganhei a maioria, mas nunca fiquei tão nervoso igual eu estava aqui porque, quando a gente estava perfilado para poder entrar junto com a equipe do Sada (Cruzeiro), que eu entrei no ginásio e, cantou o hino, e a gente começou a aquecer, a primeira coisa que eu fiz foi procurar a minha família e eu vi todo mundo da minha família (meu irmão, minha cunhada, minha irmã, meu pai, minha mãe, meu padrinho estava, primos, enfim...) e eu olhei pra todo mundo e olhei para aquele ginásio lotado, 15 mil pessoas, e falei "Pô, imagina se a gente perder? Eu com esse ginásio lotado, minha família toda, sabe lá quando eles vão ter uma outra oportunidade de me ver jogando uma final de Superliga praticamente no quintal da minha casa?", porque, se vocês não sabem, de Brás de Pina para o Maracanãzinho são 10 minutos (risos). Então eu fiquei muito nervoso porque eu estava com a aquela sensação "Pô, se eu perder, acho que vai ser uma das maiores tristezas que eu vou ter na minha vida profissional porque está todo mundo aqui me vendo" e deviam ter mais amigos espalhados pelo ginásio, mas eu olhei pra minha família e falei "Pelo amor de Deus, eu tenho que dar esse campeonato para eles porque senão, vai ser uma das maiores decepções que eu vou ter na minha carreira como jogador". Então eu fiquei o jogo inteiro nervoso. Só fui acalmar quando eu vi que estava 20 a 10 pra gente no quarto set que eu dei uma acalmada que eu falei "não, não tem jeito mais, é nosso e ninguém tira". Tanto é que a primeira coisa que eu fiz quando terminou o jogo foi correr para onde eles estavam que eu ganhei um abraço lindo da minha irmã e, enfim, essa é a imagem que eu vou ter desses três anos. Mas agora é vida nova. 


SB: Que recado você quer dar para os seus fãs?
RR: Para a torcida do Rio de Janeiro, do RJ Vôlei, eu gostaria de agradecer imensamente, porque, como eu escrevi ontem (nas redes sociais), eles lotaram o ginásio na grande maioria dos jogos, torceram para a gente, sofreram junto com a gente, principalmente no último ano com a dificuldade que nós passamos. Só que graças a Deus a gente pôde proporcionar para eles um grito de campeão, de poder gritar "é campeão" junto com a gente. Eu agradeço a todos. Todo mundo desde o pessoal dos serviços gerais do Maracanãzinho. Quando eu fui na final do feminino, eu ganhei um abraço muito carinhoso de uma menina que falou "pô, sinto falta de vocês, da alegria da gente no ginásio" e é isso que conta. É isso que vai contar para mim. Eu voltei de seis anos jogando no Rio Grande do Sul e cinco anos na Itália, e enfim, são 11 anos sem estar aqui no Rio de Janeiro, então praticamente as minhas amizades eu não tinha mais. Então, eu acho que o que mais contou para mim durante esses três anos foram as amizades que eu fiz fora da quadra. Dentro da quadra também. Não conto nem os resultados, foram ótimos, mas acho que as amizades que eu fiz dentro da quadra e principalmente fora dela é o que eu acho que eu vou levar para a minha vida toda porque a minha carreira vai acabar, mas acho que as amizades que eu fiz vão continuar e isso que é o mais importante. Agradeço a todo mundo e a gente se vê no RJ Vôlei e Sesi.



Por Raiane Oliveira
Foto: Raiane Oliveira/Sem Bloqueio

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