A equipe do Sem Bloqueio bateu um papo sem bloqueios (gostaram do trocadilho? rsrsrsrs) com o técnico Marcelo Fronckowiak, que no último ano dirigiu o Dínamo Krasnodar, da Rússia. Seu último trabalho no Brasil foi a frente da equipe representante do Rio de Janeiro, o extinto RJX - o qual conquistou a Superliga 2012/2013 - e o RJ Vôlei (5º lugar na Superliga 2013/2014).
Na conversa, Marcelo conta a experiência na Rússia e descreve como crescimento pessoal, no entanto, após a demissão da equipe, decidiu voltar ao Brasil, mas precisamente ao Rio de Janeiro, cidade onde a família montou a sua base quando veio dirigir a equipe carioca. Ele diz ter desejo sim de retomar um projeto na Cidade Maravilhosa não só pela identificação com o lugar, mas também por ver grande potencial, porém ainda não tem nada de concreto. O momento agora é de planejar a carreira para o futuro. Além dos projetos, Marcelo também deu o seu parecer sobre as denúncias de desvio de verba na Confederação Brasileira de Vôlei.
Sem Bloqueio: Como foi a sua passagem na Rússia, onde tem uma da ligas mais fortes do mundo?
Marcelo Fronckowiak: Foi um experiência muito positiva, no sentido de um crescimento pessoal, de um contato com o que é hoje o campeonato, a liga mais forte do mundo. Eu tive um início que fiquei muito feliz. Meu time teve 12 vitórias seguidas e a gente estava em um momento do campeonato, onde estávamos a dois pontos dos playoffs, estávamos em nono lugar, com uma possibilidade de reversão desse quadro muito grande de um segundo turno e o clube optou pelo meu desligamento. São sentimentos diversos. Num primeiro momento um sentimento legal, de ter sido escolhido para participar e o sentimento não muito legal que é óbvio, vou tentar usar isso da melhor maneira possível para retomar a minha carreira. Estou voltando para o Brasil porque a minha família está toda no Rio. Meu filho está passando pelo processo de vestibular, está precisando deste apoio do núcleo familiar. Minha família montou toda a sua base no Rio de Janeiro quando que eu vim para cá em função do RJX - depois RJ Vôlei. E agora é o momento de decisões em relação ao que eu vou fazer no futuro.
SB: Há algo em vista? Essa vinda ao Rio de Janeiro veio de férias ou tem algum projeto por aí? (sim, fomos ousados e perguntamos)
MF: Eu tinha a intenção de retomar alguma coisa no Rio de Janeiro porque vivi uma experiência extremamente positiva. Enquanto estive a frente das equipes aqui do Rio, a gente conseguiu resultados bastante expressivos, uma Superliga e um quinto lugar, em todas as adversidades que a gente viveu e eu acho que tem um potencial incrível, cidade olímpica, o berço da escola brasileira de voleibol, como eu sempre falei, vivi uma história de amor com a cidade, com o voleibol. Enfim, vou tentar alguma coisa, mas com muito pé no chão. Não estou de férias, estou na perspectiva de estudar do que vai ser, programar a minha carreira para o futuro. Logo que cheguei da Russia decidi sumir um pouco, ficar com a minha família. Foi super bom para dar uma respirada e sair um pouco dessa roda viva, dessa pressão, e agora é bola para frente e tentar projetar alguma coisa positiva, não tem nada de concreto ainda na minha vida profissional. Se houver a possibilidade de montar alguma coisa aqui (Rio de Janeiro), vou tentar ser parte integrante disso. Mas eu sou um profissional que vivo do meu trabalho, então eu tenho que ter a consciência clara que que em determinado momento vou ter que decidir a minha vida profissional. Nesse momento eu ainda estou respirando, tentando me preparar para novos desafios.
SB: Você veio aqui em uma partida do Rexona-AdeS (representante do Rio de Janeiro na Superliga Feminina), sente falta né?
MF: Foi super legal, me senti super bem de ter vindo aqui, ver o belo trabalho do Rexona que é super inspirador. É um trabalho de longa data que continua dando resultado, que revela gente e isso é uma coisa extremamente positiva. Pena que o Rio de Janeiro sofreu esse abalo no masculino de não ter continuado e eu acho que o voleibol brasileiro está carente de novas equipes. Eu vejo um potencial muito grande de jovens jogadores que infelizmente compõe grandes equipes mas não estão jogando. Tem muita coisa para ser feita. Ao longo da minha carreira eu trabalhei com jovens jogadores e dei oportunidade à jovens jogadores. Acho que o Rio e o voleibol brasileiro têm essa possibilidade, então é a perspectiva de tentar alguma coisa novamente, mas é óbvio que com a economia difícil, com tantas coisas difíceis acontecendo no Brasil, não é da noite para o dia que essas coisas vão acontecer.
SB: O que você acha sobre os últimos acontecimentos a respeito das denúncias de desvio de verbas na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV)?
MF: Eu tive um cuidado muito grande quando fui perguntado. Eu ainda estava no Brasil, sobre isso no início da situação porque não se tinha nada comprovado. Eu acho que a gente está em um processo agora onde a Controladoria Geral da União (CGU) já tem o seu parecer, a CBV tem uma auditoria interna e acho que agora vamos para o campo das medidas judiciais. Eu sinceramente espero que a CBV vá atrás como grande responsável ou lesada nesta situação porque correu sérios riscos inclusive com o patrocinador maior que é o Banco do Brasil. Me parece que estamos num momento em que as coisas estão sendo apuradas. Que a justiça corra atrás e a CBV se defenda com os seus direitos nessas coisas que aconteceram e que os eventuais culpados respondam juridicamente a uma situação que não foi boa para ninguém.
Por Fernanda Teixeira e Raiane Oliveira
Foto: Raiane Oliveira

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