Os Jogos Olimpícos de Londres vão ficar marcados para sempre na vida das meninas que representaram o Brasil em quadra. Ciclo olímpico com altos e baixos, a saga de firmar uma levantadora, cortes que abalaram o grupo, enfim, muitos obstáculos que podiam levar a crer que as meninas não iam ter boa performance na olimpíada.
A irregularidade da primeira fase veio a confirmar que as comandadas de Zé Roberto Guimarães não estávam bem no torneio, especialmente no jogo contra a Coréia do Sul, o qual perdeu de forma inacreditável para um time inferior. No entanto, as críticas que sofreram e claro, as amargas derrotas fizeram com que as guerreiras ressurgissem. Se nós torcedores estávamos insatisfeitos, elas com certeza estávam o triplo.
Lembro até hoje quando eu vi a Sheilla dizendo que se elas conseguissem passar para a segunda fase, seriam ouro e não deu outra. Após a partida épica contra a Rússia nas quartas de final e a Semifinal contra o Japão em que o Brasil atropelou, era hora de enfrentar um adversário duríssimo, a seleção número 1 do ranking da FIVB, os Estados Unidos.
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| Jaque passa pelo bloqueio americano |
O jogo estava favorável às norte-americanas. No primeiro set elas passaram um trator no Brasil, fechando em 25 a 11. A lição para o andamento do jogo era esquecer o set anterior e seguir em frente. Foi o que as brasileiras fizeram. Só deu Brasil nos outros quatro sets. Os Estados Unidos em alguns momentos ameaçaram a reação, mas o grupo brasileiro soube se comportar e ter a serenidade necessária para ganhar o Ouro.
Brasil virou o jogo, 3 a 1, parciais de 11/25, 25/17, 25/20, 25/17. Bicampeãs fazendo festa em quadra e consagrando um técnico TRICAMPEÃO OLÍMPICO, Zé Roberto Guimarães (Barcelona-92 com os rapazes, Pequim-2008 e Londres 2012, com as moças). Conquista merecida pelo fato das jogadoras e comissão técnicas nunca terem deixado de acreditar. Talentosas as meninas são e isso todo mundo sabe, mas como elas falaram, um certo momento não estavam conseguindo traduzir em quadra o que haviam estudado, mas nos momentos decisivos, renasceram e o resultado está aí, ouro no peito.
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| Único brasileiro triolímpico, o vô Zé Roberto Guimarães |
Não dá pra destacar apenas uma jogadora dessa Seleção. Jaque foi incrível, fundamental no fundo de quadra e apareceu muito bem no ataque. Fernanda Garay, quem na Superliga peguei pra Cristo, evoluiu demais e jogou uma excelente Olimpíada. Na final sentiu um pouco o peso no ataque, mas procurou suprir com outros fundamentos. As centrais, Fabiana e Thaisa, efetivas no block e no ataque. Fabí se agigantou em quadra. Sheilla, preciso falar alguma coisa? CRAQUE! E a Dani Lins fez um trabalho incrível que nos quatro anos de ciclo olímpico não havia feito. Deu ritmo às jogadoras, passou confiança, enfim, ela cresceu e acho que é uma surpresa muito boa, já que quando começaram os treinos em Saquarema ela era apenas a terceira levantadora.
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| Jogadoras e comissão técnica em festa com o bicampeonato olímpico |
As reservas também tiveram um papel fundamental. A toda hora estávam torcendo e prontas para entrarem em qualquer circuntância. Não dá pra tirar também o mérito da Seleção dos Estados Unidos que mostraram o verdadeiro espírito olímpico. Tiveram chance de eliminar o Brasil na primeira fase, podia fazer corpo mole, mas não, deram um show de como deve se comportar em uma Olimpíada, sem contar que a seleção norte americana é EXCELENTE e muito bem dirigida e assessorada. Quem tem o craque Karch Kiraly, campeão olímpico na praia e quadra (quem não o o conhece, joga no Google e pesquisa), de auxiliar, está muito bem servido.
Agora Brasil, é comemorar esse feito lindo das nossas meninas de Ouro. Aqueles que não acreditaram que era possível sim chegar ao título olímpico, aí está a resposta e a lição de que tem que criticar menos e aprender a confiar mais nas nossas atletas.
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| Emoção no lugar mais alto do pódio. É OURO! #MeninasDeOuro |




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